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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"O" Clássico do Leste

O esporte une as pessoas...
Clássico é clássico de fato, e não é só no futebol. Quem tem o canal Space, ou é um criminoso que assiste jogos na internet de graça (eu estou incluído nessa última lista), e aprecia a NBA, teve a oportunidade de acompanhar uma das maiores rivalidades da NBA e talvez a maior rivalidade da Confêrencia Leste na última quinta-feira, dia 9 de dezembro de 2010. O jogo que aconteceu no Wells Fargo Center (antigo Wachovia Center, onde já tive o inenarrável prazer de assistir meu time jogar, e deixo claro que não farei esforços pra esconder que torço pro Sixers) teve um clima de empenho e domínio por parte do time dono da casa desde a primeira posse até os 6.6 segundos do 4º quarto, infelizmente, no basquete, 6 segundos são suficientes para dizimar qualquer esperança.



O Jogo:
Antes do jogo, a espectativa lógica era de uma partida fácil para o Boston, o que faria sentido se não fosse o conhecido retrospecto entre essas duas equipes, que sempre é marcado pela rivalidade e superação por parte do time momentaneamente menos sólido (seja o Boston ou o Sixers dependendo da época), nesse caso o Celtics vinha como uma das melhores equipes atuais na Liga, enquanto o 76ers pode ser definido como um time jovem que tenta se recuperar após uma temporada 2009-10 sofrível. A partida foi marcada por um dominio nos rebotes pela equipe da Philadelphia, muito devido a ausência de Shaq e ao esforço do ex-bom-jogador Elton Brand (que desde de que saiu do Clippers, parece que deixou seu talento para ver se ajudava o time bastardo de Los Angeles), que estava longe de ser aquele Brand 20/10 que todos viram jogar no time mais zicado da NBA, mas que vem melhorando esse ano... Enfim, após essa pequena divagação, voltemos ao jogo; o domínio nos rebotes ofensivos deu ao 76ers um volume muito maior de jogo e garantiu a liderança até o último minuto do primeiro tempo (quando o Celtics conseguiu virar o jogo e ir aos vestiários com 1 ponto de vantagem, 56x55). Na volta para o 3º quarto toda a preocupação de Doug Collins (técnico de Philly) era manter o placar próximo, já que, estatisticamente falando, o terceiro quarto vem sendo o pior nos jogos do 76ers nessa temporada. Porém, de forma surpreendente, os jovens jogadores do elenco de apoio protagonizaram uma performance certeira da linha de 3, contando com a distribuição de bola bem executada pelo líder do time, Andre Iguodala, que terminou o jogo com 11 assistências. Com a liderança do placar recuperada, o 4º período começou com as esperanças renovadas para os torcedores do Sixers (e eu sei do que estou falando...), e o contínuo domínio no decorrer do jogo criava uma mistura de empolgação e frustração (já que apesar do volume de jogo maior, o alto aproveitamento de arremessos de 3 por parte de Boston, impedia que uma vantagem maior fosse construída a favor de Philadelphia), até que aos 1:06 minutos para o final da partida, todos os esforços de marcação se tornaram inuteis quando, após uma rotação defensiva errada, a bola parou nas mãos do único jogador que nunca erraria um arremesso de 3 no fim de um jogo como esse, Ray Allen. Antes mesmo da bola sair das mãos do segundo maior conversor de arremessos "triplos" da história (em breve será o primeiro), todos já sabiam que os 95x97 se tornariam 98x97 para o time visitante. Mesmo com esse revés, Iguodala, que não estava muito bem nos arremessos e vinha ajudando o time com suas assistências, resolveu chamar a responsabilidade e mostrar porque fez parte da seleção campeã dos EUA no mundial da Turquia: Acertando 2 arremssos consecutivos com marcação pesada (sendo o primeiro com falta, que não foi marcada), recuperou a liderança de 1 ponto para seu time com 6.6 segundos no relógio, mas foi aí que entrou a criatividade e poder de análise de Doc Rivers: observando a escolha de Doug Collins em deixar um time mais rápido (consequentemente mais baixo) visando a marcação de perímetro, desenhou uma jogada explorando a baixa estatura do line-up do Sixers; um passe por cima da cobertura no garrafão, e acabou 102x101, pro time que mais entrosado, porém o Sixers jogou melhor e soube impor seu ritmo de jogo (análise imparcial agora) contra o atual melhor time do Leste e se não teve a vitória, pelo menos provou que tem qualidade e deve ser levado a sério, já que tem um time talentoso e atlético que é bem melhor do que seu recorde de vitórias e derrotas dá a entender.

Philadelphia 76ers:
Destaques Positivos - 1.Andre Iguodala (14 pnts, 11 asts, 5 rebs, 2 roubos de bola); mais uma vez mostrou sua versatilidade sabendo ajudar o time da melhor forma possivel e sua liderança e poder de decisão no final do jogo (provando que é um dos jogadores mais subestimados e completos da NBA, que só é reconhecido por sua habilidade atlética e suas enterradas marcantes ao mesmo tempo em que é ignorado por muitos quanto a sua incrível capacidade defensiva e sua ótima visão de jogo). 2.Jodie Meeks (4-4 de 3 pontos); um jogador universitário espetacular que foi esquecido na NBA após o Draft e agora que teve sua oportunidade vem provando seu valor e dando mostras de suas performances na Universidade de Kentucky (onde quebrou o recorde de pontos da universidade, com 54 em uma única partida).
Destaques Negativos - 1.O segundo escolhido do Draft de 2010, Evan Turner, teve mais uma partida longe de ser prestativa e continua atuando abaixo da expectativa. 2.Por motivos misteriosos, o melhor jogador de garrafão da Philadelphia, Marreese Speights, não participou da partida de ontem, seu bom arremesso de média distancia e bom posicionamento ofensivo poderiam ser definitivos para uma possível vitória de seu time.

Boston Celtics:
Destaques Positivos* - 1.O Power Foward (ala-pivô) Kevin Garnett (na minha opinião o melhor em sua posição na história, superando Karl Malone), além de se mostrar útil no lance decisivo da partida, teve uma participação sólida na defesa do garrafão e consistente no arremessos de média distância. 2.A estrela mais jovem e atual melhor jogador do Boston teve um grande papel nas assistencias, como sempre, mas foi outro aspecto de seu jogo que se destacou; com um aproveitamento de 64% dos arremessos, Rondo teve acertos importantes em arremessos médios e longos importantes, aspecto que Rondo nunca mostrou muita eficiencia em sua carreira (contando inclusive com um pouco de sorte e ajuda da tabela em uma cesta de 3 crucial no fim do 3º quarto).
Destaques Negativos - 1.O líder do time, Paul Pierce, teve dificuldades em superar a marcação de Andre Iguodala e terminou o jogo com um aproveitamento baixo em FGs. 2.Apesar de ter feito cestas importantes e decisivas (de forma surpreendente tratando-se deste jogador), Glenn Davis cometeu muitas faltas e teve que passar bastante tempo no banco, desfalcando o Celtic na briga por rebotes.

*nos seus 14 anos de carreira, Ray Allen já se tornou uma constante em arremessos decisivos, portanto embora tenha acertado uma bola fundamental para a vitória de sua equipe não pode ser considerado um destaque.


UM POUCO DE HISTÓRIA:

Quem acompanha a NBA é capaz de reconhecer os dois jogadores, em um momento amigável, da foto no começo do post; respectivamente Julius Erving (DR.J) e Larry Bird, os líderes de seus respectivos times no ápice da rivalidade entre os times da Divisão do Atlântico, os anos 80. Mais do que a rivalidade entre os próprios times (que entre 80 e 85 se encontraram 4 vezes nas Finais de Conferência do Leste, com 2 vitórias para cada lado), o confronto marcava a disputa entre dois dos melhore e mais distintos jogadores da história da NBA: enquanto Larry Bird era caracterizado por sua refinada eficiência técnica e estratégica, Julius Erving era um jogador explosivo e criativo que utilizava sua habilidade atlética e talento para criar jogadas que eram verdadeiras obras de arte do improviso. A única semelhança entre os dois era a competitividade, a vontade e capacidade de vencer tornava o duelo mais do que um confronto de estilos, era uma batalha física e pscológica que evidenciava a diversidade cultural latente que existe nos esportes, mesmo jogando com filosofias e talentos distintos, ambos se mostravam igualmente importantes para suas respectivas equipes e unidos dentro do jogo pelo objetivo final de todos os esportes, vencer.

Como já disse, a diferença nas habilidades e forma de encarar o jogo entre os dois era gritante, Bird não era atlético nem muito performático e não era de se esperar que realizasse jogadas plásticas, mas tinha o poder de decidir jogos com seus arremessos precisos, ótima visão de jogo e posicionamento e execussão tática impecáveis, por outro lado, Erving era um jogador extremamente talentoso e atlético para a época, que aliados a sua criatividade e agressividade em relação a cesta o tornavam praticamente imparável em contra-ataques e infiltrações, produzindo inúmeras jogadas de efeito que revolucionaram e ajudaram a moldar o basquete e a forma que ele é jogado atualmente (entre suas maiores contribuições ao basquete estão a criação do campeonato de enterradas e da ponte-aérea, que tiveram seus estimulos criativos impulsionados por ele, além de ser o aspecto capitalisador para a fusão entre a ABA e a NBA em 1976 que mudou a Liga e a fez ser o que é hoje), apesar de ter conseguido números impressionantes de carreira, principalmente na ABA onde quebrou diversos recordes, a maior contribuição de DR. J foi a forma com que expandiu os limites do esporte.

Lógico que a rivalidade não é apenas por causa dessas duas lendas da NBA, outros jogadores como Wilt Chamberlain e Bill Russell tambem tiveram um histórico de confrontos pelas duas equipes e todos os jogadores que faziam parte dos times e estiveram ao lado desses jogadores fazem parte da história desse clássico, existem jogadores que se mostram mais importantes, mas ninguem é capaz de ganhar sozinho e o lado humano é o que torna a rivalidade mais interessante, uma vez que é capaz de proporcionar momentos emocionantes e imprevisiveis como o do video abaixo, onde os papéis se invertem e um jogador como Bird, famoso por sua precisão e calma nos arremessos e outro como Erving, igualmente eficaz nos momentos decisivos, porém com um arremesso apenas mediano de longa distância, se deparam com situações que desafiam seu equilibrio emocional e terminam por surpreender a todos com a capacidade de superação dos verdadeiros competidores.



Esse é um dos meus momentos preferidos dessa rivalidade.

E pra quem teve a paciência de ler esse texto, meus sinceros agradecimentos.

Nota: Deve ficar claro que existe uma diferença na época de atuação entre Bird, que entrou em 1979, e Erving que se aposentou em 1987 após 16 anos de carreira, portanto os confrontos em questão ocorreram entre dois jogadores em períodos diferentes de suas carreiras.

Tip-Off (Ponta-Fora, literalmente falando)

Dá pra notar que a foto é de 2008?
"Vocês estão prontos?", digo ao melhor estilo Hank Willians Jr. (essa foi pros que acompanham o Monday Night Football), quem não conhece eu espero 5 minutos, dá tempo de sobra pra pesquisar e assistir o vídeo no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=EwuG-g7qK0k&feature=related)*... Agora que tudo foi explicado, já é possivel perceber que esse é um blog de esportes e tem muita influência da NBA e da NFL, mas não é só isso! Acessando agora você tambem leva grátis muito Atletismo, Futebol e de quebra Boxe e muito embora eu tenha feito essa piadinha ridícula de Shoptime é exatamente o oposto que espero expor nesse blog; diferente das vias tradicionais da mídia, além de toda a informação histórica que resulta de um trabalho "árduo" de acompanhamento esportivo, proporcionarei opiniões diferenciadas e sem responsabilidade sobre grandes figuras do esporte que são exageradamente engrandecidas e outras que não tem o destaque que merecem nas mídias de grande público.

A realidade é que não existem mais "ídolos" de verdade no esporte, já que hoje todos os aspectos são controlados pelo dinheiro (espero que tudo menos os resultados), e antes que isso pareça uma daquelas "críticas de rebeldia", a qual cada vez mais estamos expostos, garanto que deixarei de lado todas as teorias de conspiração e justificarei minhas opiniões a partir de analises estritamente limitadas ao campo da prática esportiva de competição, e mantendo os negócios a parte.

Enfim, tudo que todos um dia deveriam saber, mas que nunca ninguém disse (exagerei um pouco...), e doses de saudosismo isoladas, se encontram aqui e por mais que sejam feitas referências aos EUA (que na minha modesta opinião, tem a melhor política de esportes do mundo, que um dia talvez possamos implantar por aqui) é tudo em nome, somente, do esporte e sempre seremos brasileiros e traremos no peito o orgulho de ser brasileiro (exagerei mais um pouco...). É um pouco tarde; a NFL está quase nos playoffs, a NBA começou à quase dois meses e o Brasileirão já acabou... Mas ainda há tempo... Agora é trabalhar duro em busca dos 3 pontos...

*o vídeo é de uns 20 anos atrás devido à proteção dos direitos autorais da ESPN.